sexta-feira, 24 de junho de 2011

Telhado verde


A sede da Prefeitura Municipal de São Paulo, no centro da cidade, tem um dos mais bem conservados jardins de edifícios públicos do país, com dezenas de espécies catalogadas. O detalhe é que essa porção verde fica no topo do Palácio do Anhangabaú e, portanto, passa despercebida por boa parte dos cidadãos


Vista de cima, a capital paulista revela quão escassos ainda são os telhados verdes, coberturas em que lajes e telhas recebem vegetação rasteira ou mesmo árvores. E essa ausência se repete por todo o Brasil. Em Nova York, onde existe uma lei de incentivo à adoção desse sistema desde 2008, foram pedidas licenças para forrar com plantas perto de 87 700 m², só no primeiro ano. Isso equivale a mais de 11 vezes a medida do campo do estádio do Morumbi, em São Paulo. Lá, os solicitantes são favorecidos com descontos no imposto predial da cidade. Algo semelhante ocorre em Vancouver, no Canadá, onde a Biblioteca Municipal exibe um jardim de 1 850 m². E por aqui, o que é possível?

"A cobertura verde é uma solução muito eficaz para equilibrar o comportamento térmico das edificações", explica a arquiteta carioca Alexandra Lichtenberg, diretora da consultoria EcoHouse. "As plantas auxiliam não só a baixar a temperatura como também a evitar o resfriamento exagerado", complementa. Além de minimizar as ilhas de calor - áreas superaquecidas em metrópoles excessivamente impermeabilizadas -, os telhados com cobertura vegetal favorecem o isolamento acústico e diminuem o impacto das chuvas ao reter parte da água que iria diretamente para as galerias pluviais, reduzindo o volume das enxurradas. Até mesmo a biodiversidade é favorecida: eles atraem pássaros para os centros urbanos. A poluição também cai significativamente, já que, para realizar a fotossíntese, as plantas sequestram monóxido de carbono e eliminam oxigênio. Com tantos benefícios, o ganho estético proporcionado pelo embelezamento da paisagem pode ser visto como um desejável complemento. Mas então por que esse recurso não é mais amplamente adotado? 

Fonte: Planeta Sustentável

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