quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Toca-discos modificado lê música em anéis de árvores

Toca-discos-arbol

Além do farfalhar suave das folhas na brisa ou do crepitar dos galhos quebrados pelo vento do inverno, o caráter de uma árvore pode ser descrito como “forte e silencioso”. Mas como é comum em personalidades assim, elas também devem ter as mais belas e assombrosas histórias para contar.
Por quase um século, dendrocronologistas praticaram a leitura dos anéis de crescimento das árvores em busca de pistas sobre sua vida pregressa. E embora tenha ajudado imensamente os cientistas a entender a história dos ciclos de crescimento, este campo de estudo sempre foi muito árido e clínico. Mas agora, graças a um toca-discos especial projetado para ler os anéis de crescimento como faixas de um LP, a biografia de uma árvore hoje pode ser ouvida como sua discografia.
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O artista alemão Bartholomäus Traubeck lançou recentemente um toca-discos que é capaz de ler digitalmente fragmentos de árvores, traduzindo-os em emocionantes músicas para piano. Os anéis, que indicam a taxa de crescimento anual de uma árvore, oferecem pistas sobre os períodos de escassez e abundância enfrentados por um espécime ao longo da vida.
O projeto de Traubeck, com o sugestivo nome de “Years”, é assim descrito por Creative Applications:
“Os anéis anuais de uma árvore são analisados para determinar sua vitalidade, espessura e taxa de crescimento. Estes dados fundamentam um processo que produz músicas para piano de acordo com os dados do anel. Tais dados são analisados segundo a espessura e a taxa de crescimento, e depois mapeados em uma escala definida pela aparência geral da madeira (clara ou escura, textura dura ou mole). Os fundamentos da música são definidos pelo conjunto de regras da configuração do hardware e da programação, mas os dados obtidos em cada árvore interpretam este conjunto de regras de forma muito diversa”.
Como qualquer grande composição, os sons produzidos pela leitura dos anéis são esteticamente belos, mas também permitem um vislumbre etéreo sobre a vida silenciosa dos organismos mais indispensáveis do nosso planeta. Além disso, quando apresentadas de maneira tão visceral, é difícil imaginar as florestas virgens da Terra apenas como meros lugares onde a vida consegue vicejar, mas como musicistas que registram, à sua maneira, o que significa estar vivo.

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